CONFRARIA DO SABER

Conferências do Casino

Conferências do Casino – A Origem

E se criássemos um espaço onde fosse possível aprofundar conhecimentos e reflectir sobre os mais diversos temas de uma forma que, em vez de rígida, académica e cerimoniosa, fosse precisamente o contrário: informal, descomprometida e com o seu quê de guloso e prazenteiro, ao jeito das antigas tertúlias? E se criássemos um ambiente onde o conhecimento pudesse ser degustado com todos os sentidos, como quem desvenda um novo paladar? Foram estas perguntas o ponto de partida para o que, pouco tempo depois, viria a ser o primeiro projecto da Confraria do Saber – as Conferências do Tati.

Tati porque esse é o nome do espaço encantador onde os encontros acontecem.

Quanto às ‘Conferências‘… Bem, embora não tenhamos qualquer tipo de pretensão, reconhecendo as nossas limitações e salvaguardando todas as devidas diferenças e proporções, quisemos com este nome recuperar um pouco o espírito reformador das famosas Conferências do Casino, numa modesta tentativa de invocar o talento, o brilhantismo e o génio dos seus mentores.  “Reflectir sobre as mudanças políticas e sociais do mundo, investigar a sociedade como ela é e como deverá vir a ser, estudar todas as ideias novas do século e todas as correntes do século” foi uma das ideias dominantes e um dos principais objectivos da geração de 70 ao realizar as Conferências do Casino. E, pese embora a devida actualização, não deixa de ser o nosso objectivo último. Porque o conhecimento, o esclarecimento, o exercício crítico e a permanente intersecção e confronto de ideias são elementos indispensáveis da nossa musculatura cívica e humanística, as Conferências do Tati, além de momentos de aprendizagem, enriquecimento e fruição pessoal, são também ferramentas importantes que cada um pode usar na promoção do seu desenvolvimento enquanto indivíduo e na procura da  sua realização pessoal, contribuindo, em última instância, para uma sociedade mais consciente da sua própria existência.

Porque tão importante como alimentar o corpo é alimentar a alma, saiba mais sobre as Conferências do Casino, aceite as boas-vindas da Confraria do Saber e junte-se a nós, um dia destes, nas Conferências do Tati.

Grupo das Conferências do Casino

Conferências do Casino

As Conferências do Casino foram uma série de conferências realizadas na primavera de 1871 em Lisboa. Foram impulsionadas pelo poeta Antero de Quental, que insuflou no chamado Grupo do Cenáculo o entusiasmo para as realizar. Este poeta estava sob a influência das ideias revolucionárias de Proudhon. Este grupo também passou a ser conhecido como Geração de 70. Tratava-se de um grupo de escritores e intelectuais jovens e de vanguarda.

As Conferências do Casino, ou Conferências Democráticas do Casino, são uma réplica da anterior Questão Coimbrã.

Manifesto

18 de Maio aparecem no jornal “A Revolução de Setembro”, as assinaturas de Adolfo CoelhoAntero de QuentalAugusto SoromenhoAugusto FuschiniEça de QueirósGermano Vieira MeirelesGuilherme de AzevedoJaime Batalha ReisOliveira MartinsManuel ArriagaSalomão Saragga e Teófilo Braga. Estas personalidades assinam um manifesto que aponta as intenções de reflectir sobre as mudanças políticas e sociais que o mundo sofria, de investigar a sociedade como ela é e como deverá vir a ser, de estudar todas as ideias novas do século e todas as correntes do século.

Têm assim em mente uma visão internacionalista e de participação na polis. Recusam que Portugal continue mouco às novas ideias que circulam na Europa. Visavam assim “Abrir uma tribuna onde tenham voz as ideias e os trabalhos que caracterizam este movimento do século, preocupando-nos sobretudo com a transformação social, moral e política dos povos; ligar Portugal com o movimento moderno, fazendo-o assim nutrir-se dos elementos vitais de que vive a sociedade civilizada, procurar adquirir a consciência dos factos que nos rodeiam na Europa; agitar na opinião pública as grandes questões da Filosofia e da Ciência modernas; estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa”.

Conferências Realizadas

Intervenção das Autoridades e Polémica

Quando se preparavam para a sexta conferência os participantes foram surpreendidos por um aviso das autoridades que ilegalizavam a realização das mesmas. As autoridades do Estado alegavam que “as prelecções expõem e procuram sustentar doutrinas e proposições que atacam a religião e as instituições do Estado”. O que não era de todo infundamentado porque, apesar de liberal, se vivia numa Monarquia e o Catolicismo era muito forte em Portugal. As Conferências veiculavam ideias que eram tidas por perigosas como a República, a Democracia e o Socialismo. À volta da proibição, um acto de censura, levantaram-se variados protestos, choveram cartas aos jornais e foram lavrados opúsculos de polémica entre os quais um famoso ataque de Antero “ao Marquês de Ávila e Bolama”, que foi o autor da proibição

Conferências não realizadas

  • 6. Os Historiadores Críticos de Jesus, por Salomão Sáraga
  • 7. O Socialismo, por Jaime Batalha Reis
  • 8. A República, por Antero de Quental
  • 9. A Instrução Primária, por Adolfo Coelho
  • 10. A dedução positiva da Ideia Democrática, por Augusto Fuschini

Balanço

No rescaldo deste importantíssimo episódio da Cultura de expressão portuguesa podemos afirmar que as Conferências do Casino, representaram em Portugal uma afirmação dum movimento de ideias que vingava na Europa. Era o Historicismo, o interesse pelas Ciências Sociais e Políticas, a crítica positivista à maneira de Taine, o evolucionismo de Darwin, um tímido interesse pelas ideias de Karl Marx e, especialmente, de Proudhon, o Realismo na arte como locução de um novo ideal de vida, a crença no progresso das sociedades conseguido através da Ciência.

Eça de Queiroz, posteriormente e sobre as Conferências, afirma nas Farpas: “era a primeira vez que a Revolução sob a sua forma científica tinha em Portugal a sua tribuna”. Alguns dos interventores nestas conferências, cerca de duas décadas mais tarde, juntaram-se no grupo dos auto-intitulados Vencidos da Vida.

Protesto de Antero de Quental à proibição das Conferências

Este protesto foi da autoria de Antero de Quental, tendo sido redigido no Café Central, hoje Livraria Sá da Costa, no mesmo dia da proibição:

“Em nome da liberdade do pensamento, da liberdade da palavra, da liberdade de reunião, bases de todo o direito público, únicas garantias de justiça social, protestam, ainda mais contristados do que indignados, contra a portaria que manda arbitrariamente fechar a sala das Conferências democráticas. Apelam para a opinião pública, para a consciência liberal do País, reservando a plena liberdade de respondermos a este acto de brutal violência como nos mandar a nossa consciência de homens e de cidadãos”*

Este protesto é assinado por Antero de Quental, Adolfo Coelho, Jaime Batalha Reis, Salomão Saragga, Eça de Queirós.

Fonte: Wikipédia

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