CONFRARIA DO SABER

Já aconteceu * Filosofia para Crianças – Quem tem medo de bruxas tem medo do lobo mau? * 11 de novembro

No último encontro dos nossos Livres Pensadores, o medo foi o prato forte. Os pequenos filósofos vinham ao mesmo tempo ansiosos e com algum receio. Porque falar do medo, só por si, já impõe algum respeito. Só para dizer a palavra, já é preciso coragem! Começámos por fazer as apresentações sob a forma de desenhos de janelas e, a pouco e pouco, as vozes e as almas abriram-se de par em par para dizer em voz alta o que normalmente anda escondido. Desde alguns bichos àquilo que se passa debaixo da cama, todos os medos têm em comum o facto de assustarem e de causarem sempre rejeição – “É algo que não queremos que aconteça”! Para lutar contra o medo, houve apostas em receitas diversas: estar ocupado, pensar em coisas positivas e, num momento de coragem, abrir o peito e afrontá-lo desassombradamente. E depois de muito se falar nos medos dos mais pequenos que se sentaram à nossa mesa, fica a pergunta no ar: “Os adultos têm medo? De quê?”

Quem sabe se, numa próxima oportunidade, o medo não volta à mesa da Confraria, desta vez, vestido de crescido?

Próxima sessão: 9 de dezembro * Um presente de Natal – a história da compaixão

Facilitadora

Ana Aires Breysse

Responsável pelo projecto Livres Pensadores, programa de treino do pensamento critico e da filosofia prática que trabalha a análise dos raciocínios e argumentos aplicando-os às discussões filosóficas. Participação em várias formações de filosofia prática com o Professor Doutor Oscar Brenifier. Certificação em Filosofia para Crianças (Universidade Nova Lisboa); Certificação em Vivendo Valores na Educação (Living Values Program) Instituto Vivendo Valores – São Paulo; Certificação em Coaching para Pais e Educadores (ECIT); Técnica de Programação Neuro-linguistica pelo SNP (Society of Neuro-Linguistic Programming), Formadora certificada (CAP) pelo IEFP;  Experiência Profissional  nas áreas da Gestão de Projectos em Programas Interculturais e Educacionais (15 anos); Pós-Graduada em Marketing pela Chambre de Commerce et Industrie de Lyon; Licenciada em Sociologia da Comunicação (ISCTE).

Atelier Livres Pensadores * O que têm as crianças e a filosofia em comum?

Aparentemente nada e a associação entre as duas até parece bizarra.  Às crianças é atribuída uma visão do mundo pueril, pouco elaborada. A filosofia é habitualmente vista como um conjunto altamente complexo de raciocínios, especulações, problematizações. Mas, ainda que fazer filosofia em termos profissionais e académicos continue a ser uma actividade de especialistas, a necessidade de questionar é extensiva a qualquer ser humano, em qualquer momento da sua existência. Ninguém duvida que as crianças pensem e que o façam de modo lógico e racional, inteligente e criativo. Mas será que estamos em presença de um pensamento filosófico ? Será possível que pensem com maior habilidade e de forma autónoma?

Nos anos 1970 Matthew Lipman e Ann Sharp, criaram nos Estados Unidos, um programa original de filosofia para crianças, para um leque ambicioso de participantes: do ensino pré-primário ao secundário. Estes precursores pensavam que a filosofia, introduzida desde o pré-escolar, poderia proporcionar à educação do indivíduo um espírito de racionalidade e de juízo crítico a que nenhuma outra disciplina dá resposta.

Como funciona?

Sentadas em circulo as crianças lêem ou ouvem uma história. Depois da leitura colocam questões, expressam as suas opiniões e pontos de vista. Concordam ou discordam umas das outras, apresentando os seus argumentos, defendendo-os ou sendo seduzidas pelos argumentos dos outros. Está lançada a reflexão.

Com este método feito de porquês, de estou de acordo/não estou de acordo, penso que pode ser de outra maneira, entre outras questões que vão surgindo, as crianças aprendem a expressar as suas ideias, a respeitar as ideias  dos outros, a argumentar, a treinar uma escuta activa e a “ginasticar” o pensamento.  O adulto é o elemento facilitador desta comunidade filosófica, reconhecendo as questões filosóficas, incentivando o raciocínio, a auto avaliação e criando novos modos de pensar e de agir.

Competências para a vida

A Filosofia para Crianças tem vindo a impor-se como um método altamente interessante para o desenvolvimento infantil. Para além dos ganhos escolares propriamente ditos, vários estudos apontam para um aumento significativo do raciocínio, aptidão para a leitura e capacidade matemática, o contributo da Filosofia para Crianças para a formação de indivíduos mais críticos, com maior autonomia reflexiva, respeito pelo outro, consciência ética e cívica, pode ser determinante. A prática filosófica  abre portas e janelas ao pensamento e liga o pensamento à linguagem. Estas competências que se adquirem ficam para a vida, criando cidadãos mais conscientes e menos passivos face aos acontecimentos.

Como vamos trabalhar:

Vamos ser escritores, pintores, realizadores, atores, numa palavra – artistas. Vamos trabalhar com o corpo e com a mente, sozinhos ou em grupo. Vamos falar em voz alta, ou baixinho, construir um puzzle ou espreguiçar. Vamos dar utilidade aos nossos ouvidos e ser cuidadosos com os nossos gestos. No final, antes de nos despedirmos vamos brindar com um leite com chocolate e dizemos: até à próxima, até breve, até sempre.

O que vamos levar para casa:

Os olhos mais brilhantes, a voz mais clara e segura, novos amigos, a certeza de momentos bem passados. E também a alegria de ter pensado em voz alta coisas que ficam tantas vezes escondidas nas nossas ideias. De ter aprendido com as ideias dos outros, tão diferentes das nossas, e de, com elas, ter uma visão maior e melhor do nosso redondo mundo.

Projeto Tati:

Esta iniciativa, no âmbito das Conferencias do Tati, tem por objectivo dar a conhecer a Filosofia para Crianças a um público mais alargado. Não pretendemos abordar a história da filosofia e os seus extraordinários pensadores, não temos uma pretensão académica. Queremos fazer perguntas e, com três piruetas, treinarmos a arte de pensar.

Referências e documentação

Livros

O que são a Beleza e a Arte?

Editora: Dinalivro

As crianças fazem perguntas, todo o género de perguntas, e normalmente são perguntas importantes. O que fazer com elas? Em “O que são a beleza e a arte?”, há seis grandes questões para jogar com as ideias e ver para lá das aparências. Temos todos a mesma noção de beleza? Somos todos artistas? Um artista tem liberdade para criar? Para que serve a arte? Tens de compreender o que é belo? O que é belo? Para cada uma destas questões, são apresentadas várias respostas. Algumas delas poderão parecer evidentes, outras misteriosas, espantosas ou até desconcertantes, mas todas elas serão objecto de novas perguntas, porque o pensamento é um caminho sem fim. Indispensável como iniciação ao questionamento dos mais novos, a colecção “Filosofia para Crianças” constitui, além disso, um instrumento precioso para os adultos que lhes desejem oferecer um diálogo aberto, mais do que um conjunto de respostas feitas.

Livros sobre filosofia para crianças

Outros títulos da mesma coleção:

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This entry was posted on 20/11/2012 by .

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