CONFRARIA DO SABER

Já aconteceu…

“Contracultura em Portugal – Que contracultura?” * Tal como previsto, na terça-feira, 29 de maio, o Tati abriu as portas a um encontro verdadeiramente subversivo onde se falou dos vários movimentos contraculturais que foram surgindo ao longo da história. Sem ignorar as correntes ou até mesmo as personalidades contraculturais que desde tempos imemoráveis agitaram, aqui e ali, as águas paradas de certos períodos históricos, o epicentro foi localizado pela nossa conferencista na década de 50, nos Estados Unidos da América. Em época de franca expansão económica, em pleno auge da industrialização e no rescaldo de um deslumbre recente com as maravilhas da idade moderna, o fenómeno emergente da “adolescência” cria novas correntes culturais, dando voz a algum desencanto e assumindo-se em defesa de valores diversos ou inclusivamente contrários aos adoptados pela então geração adulta. Em rebelião contra uma sociedade que se faz representar como perfeita, feliz e funcional – não fora este o tempo do grande boom publicitário! -, os novos adolescentes questionam, recusam, exigem mudanças na sociedade. A quimera das filosofias orientais, o uso generalizado de substâncias psicoactivas na busca de uma expansão da consciência, a causa pacifista e os protestos anti-guerra, a recusa em aderir ao sistema, o primeiro confronto de gerações, de tudo um pouco se deu a servir no dia 29 à mesa da confraria. Da conjuntura mundial passámos finalmente ao contexto nacional, fundamentalmente a partir da década de 60, altura em que a ditadura tentava abafar quaisquer vozes dissonantes do panorama nacional. Falou-se então de surrealistas, marxistas e outros “istas”, de nomes como João Black, Joaquim Costa, Vitor Gomes e os Gatos Pretos, Luís Futre, entre muitos outros, do filme político “O Barão”… No fim, Ondina Pires deu-nos ainda a provar algumas imagens e músicas e para quem esteve presente na conferência, ficam no ar as perguntas:  A Humanidade esgotou as suas reservas criativas? Existe lugar e possibilidade real de uma nova contracultura expressiva numa Europa demograficamente deprimida e decadente? Ou ainda: A contracultura será por excelência um fenómeno efémero? Perguntas que, só por si, davam uma outra conferência… Vamos a isso, um dia destes!

Conferencista

Ondina Pires

Ondina Pires, Mestre em Estudos Americanos, é escriba de artigos de opinião para a revista Umbigo e para o programa de rádio Orelha Extra, na rubrica Vox Hertz. Moçoila criativa,  ligada à música desde os anos 80 e à escrita desde 2002, ela é lutadora, persistente e está a aprender Artes Marciais e Matemática Quântica.

Colagens alusivas ao tema (autoria de Ondina Pires)

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This entry was posted on 31/05/2012 by .

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